A vida é uma constante busca pelo desenvolvimento, mas as próprias condições de tempo perene, de espera e de contínuas mudanças fazem com que percamos o objetivo ou o deixemos de lado, em detrimento de outro ou de outros.
Conforme o tempo passa, desenvolvem-se novos olhares e perspectivas e a vida passa a ter novos sentidos. O que antes era certo, digno, valioso e normal, hoje é errado, indigno, sem valor e anormal. Os valores mudam, assim como os gostos, as percepções, os desejos e os objetivos.
Sonhamos, nos preocupamos e temos medos antecipados. Contamos com nossas perspectivas, seja a curto, a médio ou a longo prazo. Porém, geralmente não contamos que a vida muda e assim se criam novos rumos, novas perspectivas, novas maneiras de se enxergar a existência.
Resumindo, podemos concluir que a vida real não passa do momento presente. Os outros tempos, passado e futuro, são apenas sonhos ou pesadelos. Criar objetivos para uma vida inteira ou mesmo para tempos distantes é uma grande besteira, pois as bases perdem seu valor.
Acredito que a ação, acima mesmo do pensamento demorado e trabalhado, é a maior virtude do homem. Enquanto que sonhar e trabalhar em pensamentos são grandes prazeres, algo digno de seres superiores, a ação é que deixará a sua marca e que proporcionará as devidas mudanças que a existência nos cobra fervorosamente.
Certa vez aprendi que o “Universo” pratica a ação por nós quando somos negligentes, quando não a praticamos. Não deixa de ser ironia, mas o que posso tirar disso é que tudo tem um momento e um prazo certo em nossas vidas. Se não concluímos determinada obra, ela se concluirá por si mesma.
Na juventude, não temos somente virilidade, beleza, força e perspectiva. Além de tudo isso, temos o momento em que é certo viver como jovem. A juventude, durante o nosso tempo de juventude, está impregnada em tudo o que somos, pensamos e tocamos. A perspectiva e a palavra de um jovem é aquilo que o seu momento, dentro de sua existência, reproduz. Mesmo que haja um conhecimento maior, seja ele espelho dos mais velhos ou provindo de sua própria experiência de vida, ele será um conhecimento de um jovem apenas – não estará carregado das enfermidades, das dores e das cicatrizes de um ponto de vista mais maduro.
O tempo é necessário para tudo, pois a experiência de um jovem ainda não foi trabalhada; ainda não foi digerida; ainda não produziu o efeito necessário para gerar bons ensinamentos para a alma. Além de que, o jovem tem vontades e necessidades dignas de seu momento.
A busca pela vida começa no presente. Seja no presente de um jovem ou seja no presente de um velho. Não deve haver empecilhos. Não deve haver medos.
A vida nada mais é do que uma amálgama de escolhas e conseqüências. Quanto a isso, nada muda, seja na infância, na juventude ou em qualquer etapa da vida. O que muda é a perspectiva, o olhar, as vontades, os anseios e os objetivos. As ações também são diferentes, mas são posteriores ao que vem de dentro – nosso pensamento – e é o nosso pensamento que muda conforme o momento presente.
A busca pela vida é única, apesar de tudo isso. A busca pela vida é a busca pela felicidade, pela virtude e pela morte digna. Afinal, sempre queremos deixar uma obra digna.


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