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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A lenda do apocalipse maia deve nos fazer refletir sobre o futuro da humanidade


Fim de 2012! A profecia maia está para se concluir. E, mais uma vez, diante de mais uma lenda oriunda de uma mitológica civilização extinta, deveremos passar pela data escolhida para o apocalipse e vislumbrar o céu do dia seguinte, num momento de frustração daqueles que acreditavam no fim de tudo.
Difícil não pensar em tal profecia. É fato que o mundo passa por drásticas transformações de ordem moral e social, cada vez mais rápido. Não sabemos se haverá fim ou um eterno recomeço, mas o fato é que a ciência diz estarmos também passando por transformações geológicas e climáticas, o que pode acarretar numa grande transformação na natureza e, por consequência, na morte de espécies necessárias para a constituição e manutenção da cadeia alimentar. Desta forma, o homem pode ser atingido e a sua forma de viver, bem como a e de explorar o planeta, pode ser alterada.

Em contrapartida, sabemos que o progresso é inevitável. O capitalismo, muitos dizem, ainda está engatinhando e deve passar por transformações nas próximas décadas. Essas transformações no núcleo do sistema devem alterar a forma de vida. Paralelamente, a tecnologia deve nos dar um grande legado e nos transformar em super-homens. Resta saber se esses progressos serão aplicados para a maioria ou apenas para algumas famílias abastadas. Para completar, estima-se que em poucos anos a bioengenharia e a nanotecnologia devem dar ao homem uma sobrevida ainda impensada e com um corpo funcional.

No entanto, não basta cuidar do corpo, dando-lhe longevidade e uma forma de mantê-lo funcional. Do que adianta multiplicar a população com pessoas centenárias se existe uma sociedade manipulada e condicionada à estupidez, ao moralismo idiota, ao preconceito e à apatia cultural? Do que adianta transformar a sociedade num grande asilo se a violência ainda é inerente aos instintos mais primitivos da mente humana? O homem, em particular, e a sociedade, em geral, não estão preparados para estes sonhos da ciência. E talvez esses sonhos estejam cada vez mais perto da realidade do que se possa imaginar.  

 O século XXI ainda está começando e, da mesma forma que o século passado, o homem dito bom procura abster-se das mazelas da bandalheira - observa, mas não toma atitudes. Talvez isso seja uma constante na História. E podemos ver que novas manifestações políticas e sociais vão para o mesmo caminho que foram no passado: a procura por progresso sem a preocupação com a natureza, com as gerações futuras e a com a ética social, baseada em princípios cristãos.

Provavelmente acordaremos vivos e intactos no dia 22 de dezembro de 2012. O alinhamento planetário, já previsto pelos Maias e confirmado pela NASA, não deve passar de um belo evento astronômico para quem tiver a sorte e, talvez, a parafernália que possibilite vislumbrá-lo. Mas é necessário entender o mundo em que vivemos, os seus problemas e planejar uma solução. Porque se isto não ocorrer, as futuras gerações viverão num mundo de uma qualidade duvidosa, com a possível falta d’água e, como consequência, a escassez de alimentos. Sendo assim, as guerras voltarão e a civilização pode retroceder séculos, jogando-se fora parte de todo conhecimento que o homem acumulou durante eras.

Agora pensem: o apocalipse pode já estar ocorrendo no decorrer de nossas existências. A tristeza e a morte criam os apocalipses individuais. E as nossas sociedades omissas e desiguais nos vendem, através de torpes propagandas, a ideia de paraíso na terra. O homem se transformou na presa de seus simulacros e de suas pobres ideologias. Entorpecido, o homem não é bom e nem mau, mas um tolo inútil que vive por viver e esperando a morte chegar, sem a pretensão de um projeto maior.

De que adianta tanta tecnologia, tanta tecnocracia e tanta ciência se o homem, no seu âmago, ainda não passa de um medroso habitante da caverna da ignorância e do medo? Os ensinamentos de Cristo não podem ser esquecidos e o amor ao próximo deve ser o princípio de qualquer sociedade. O homem criou as máquinas, mas não pode querer escravizar o seu semelhante, transformando-o noutra máquina. Se o capitalismo quer se repaginar, precisa ter como princípio o respeito ao ser humano e à natureza.  Senão, estamos condenados ao fracasso.

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