Fim de 2012! A profecia maia está
para se concluir. E, mais uma vez, diante de mais uma lenda oriunda de uma
mitológica civilização extinta, deveremos passar pela data escolhida para o
apocalipse e vislumbrar o céu do dia seguinte, num momento de frustração
daqueles que acreditavam no fim de tudo.
Difícil não pensar em tal
profecia. É fato que o mundo passa por drásticas transformações de ordem moral
e social, cada vez mais rápido. Não sabemos se haverá fim ou um eterno recomeço,
mas o fato é que a ciência diz estarmos também passando por transformações
geológicas e climáticas, o que pode acarretar numa grande transformação na
natureza e, por consequência, na morte de espécies necessárias para a
constituição e manutenção da cadeia alimentar. Desta forma, o homem pode ser
atingido e a sua forma de viver, bem como a e de explorar o planeta, pode ser
alterada.
Em contrapartida, sabemos que o
progresso é inevitável. O capitalismo, muitos dizem, ainda está engatinhando e
deve passar por transformações nas próximas décadas. Essas transformações no
núcleo do sistema devem alterar a forma de vida. Paralelamente, a tecnologia deve
nos dar um grande legado e nos transformar em super-homens. Resta saber se esses
progressos serão aplicados para a maioria ou apenas para algumas famílias
abastadas. Para completar, estima-se que em poucos anos a bioengenharia e a
nanotecnologia devem dar ao homem uma sobrevida ainda impensada e com um corpo funcional.
No entanto, não basta cuidar do
corpo, dando-lhe longevidade e uma forma de mantê-lo funcional. Do que adianta multiplicar
a população com pessoas centenárias se existe uma sociedade manipulada e
condicionada à estupidez, ao moralismo idiota, ao preconceito e à apatia
cultural? Do que adianta transformar a sociedade num grande asilo se a
violência ainda é inerente aos instintos mais primitivos da mente humana? O
homem, em particular, e a sociedade, em geral, não estão preparados para estes
sonhos da ciência. E talvez esses sonhos estejam cada vez mais perto da
realidade do que se possa imaginar.
O século XXI ainda está começando e, da mesma
forma que o século passado, o homem dito bom procura abster-se das mazelas da
bandalheira - observa, mas não toma atitudes. Talvez isso seja uma constante na
História. E podemos ver que novas manifestações políticas e sociais vão para o
mesmo caminho que foram no passado: a procura por progresso sem a preocupação
com a natureza, com as gerações futuras e a com a ética social, baseada em
princípios cristãos.
Provavelmente acordaremos vivos e
intactos no dia 22 de dezembro de 2012. O alinhamento planetário, já previsto
pelos Maias e confirmado pela NASA, não deve passar de um belo evento
astronômico para quem tiver a sorte e, talvez, a parafernália que possibilite
vislumbrá-lo. Mas é necessário entender o mundo em que vivemos, os seus
problemas e planejar uma solução. Porque se isto não ocorrer, as futuras
gerações viverão num mundo de uma qualidade duvidosa, com a possível falta d’água
e, como consequência, a escassez de alimentos. Sendo assim, as guerras voltarão
e a civilização pode retroceder séculos, jogando-se fora parte de todo
conhecimento que o homem acumulou durante eras.
Agora pensem: o apocalipse pode
já estar ocorrendo no decorrer de nossas existências. A tristeza e a morte
criam os apocalipses individuais. E as nossas sociedades omissas e desiguais
nos vendem, através de torpes propagandas, a ideia de paraíso na terra. O homem
se transformou na presa de seus simulacros e de suas pobres ideologias.
Entorpecido, o homem não é bom e nem mau, mas um tolo inútil que vive por viver
e esperando a morte chegar, sem a pretensão de um projeto maior.
De que adianta tanta tecnologia,
tanta tecnocracia e tanta ciência se o homem, no seu âmago, ainda não passa de
um medroso habitante da caverna da ignorância e do medo? Os ensinamentos de
Cristo não podem ser esquecidos e o amor ao próximo deve ser o princípio de
qualquer sociedade. O homem criou as máquinas, mas não pode querer escravizar o
seu semelhante, transformando-o noutra máquina. Se o capitalismo quer se
repaginar, precisa ter como princípio o respeito ao ser humano e à natureza. Senão, estamos condenados ao fracasso.


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