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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A eterna busca de nossas vidas - segunda parte


Realmente aprendemos com os erros? Será que estamos sempre atentos ao que a vida nos mostra diariamente? Será que queremos crescer, mudar e se desenvolver? A ignorância, certas vezes, não pode ser uma benção?
Definir “sonhos” pode ser muito difícil, mas é fácil entender como se os obtém. Para se sonhar basta estar vivo, ter uma perspectiva de futuro e um pouco de saúde. Porém, existe a possibilidade de se deixar de sonhar ainda estando vivo. A esperança, algumas vezes, morre na véspera. O niilismo, muitas vezes, ocupa o lugar da esperança e, mesmo com tudo para se sonhar, a vida perde o seu sentido. Acredito que o maior sentido da vida seja o sonho.
Infelizmente a sociedade atual não dá o mínimo valor para a propriedade humana do sonho. Parece-me que tudo gira em torno de uma máquina, cujas pessoas comuns (cerca de 99%) sãos as engrenagens. Estas engrenagens funcionam para que o 1% restante viva prazerosamente, construindo e destruindo, como crianças, com os seus projetos mirabolantes. Estes sim podem sonhar sempre, pois têm o respaldo financeiro para reciclagem das fantasias.
Sem o poder de sonhar alto; sem o poder de fantasiar com momentos e lugares mais longínquos, o homem comum, a engrenagem do motor, é alienado. Para ele, existe uma coisa que lhe faz esquecer de sua condição: o consumismo infinito.
A sociedade pós-moderna trabalha psicologicamente as suas engrenagens e, para elas, produz falsas fantasias. A imagem, o som, o sabor e o toque (o sexual, não o afetivo) trazem ao homem comum a falsa sensação de poder e de liberdade e o hedonismo exacerbado o satisfaz a ponto de manipulá-lo, tirando-lhe a vontade de opinar e de escolher com consciência. Por outro lado, satisfeitas as necessidades básicas, não existe a vontade e, aparentemente, a necessidade de se questionar quanto ao que está ou não certo. Conclusão: o homem comum da pós-modernidade não questiona, apenas aceita inconscientemente o que lhe é imposto, pois o hedonismo que lhe é imposto deturpa a sua necessidade de criticar e a crítica faz parte da essência do homem.
Enquanto que existe uma fábrica de falsos sonhos para aqueles que não têm consciência, existe um verdadeiro inferno para aqueles que têm, pois enxergar a realidade no seu âmago é muito doloroso. A vida, na época e nas condições em que vivemos, é um calvário se a enxergarmos seriamente. Por isso que, cada vez mais, aumenta o consumo de entorpecentes. As pessoas têm procurado fugir do mundo real, pois os sonhos – que deveriam ser o combustível dessa realidade – têm sido massacrados. Não há como sonhar com tanta violência, com tanta falta de pureza, com tanta falta de honestidade. Não há como sonhar se estamos destruindo a natureza e uns aos outros.
Buscar uma vida melhor é buscar novos sonhos e reciclar os velhos, tentando colocá-los em prática através da ação. Mas existem grandes barreiras construídas todos os dias e que nos impedem de fazer assim. Então, para a maioria, que faz parte das engrenagens do motor do sistema, resta apenas sobreviver, procurando um sentido em vão. Desta forma, fica realmente difícil não cair no poço do niilismo. 
Quando a consciência coletiva chega ao seu limite, surge a violência em massa. O que os dominantes fazem é arranjar apaziguadores para a sociedade. A religião, por exemplo, muito antes da publicidade, fazia o papel de apaziguador da sociedade. Muitas vontades e necessidades humanas eram podadas e manipuladas “em nome de Deus”.
Sem um controle social, o estado de anarquia impera, o que realmente pode ser ruim sob determinado ponto de vista. Afinal, quebrar as regras significa alterar os pilares sociais que controlam as sociedades por milênios. Necessário é quebrar regras, mas novas deverão ser colocadas em seu lugar. O perigo é justamente estar sempre o homem no controle das coisas, pois o ser humano é torpe, vil e egoísta.
Talvez o destino do homem seja a destruição e a propriedade cândida de sonhar seja uma utopia.
Buscar sonhos talvez não seja o ideal. Talvez o ideal seja buscar uma forma de prolongar a sobrevivência e propiciar o melhor àqueles que amamos. Afinal, para que sonhar se não somos eternos?
Talvez a propriedade do sonho seja o maior dos egoísmos humanos.  

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