Nem mesmo nos primórdios foi dito ao homem qual seria o seu objetivo magno ou ao menos se ele existe de fato. Desde então foram criadas civilizações e através delas as minúcias que permitiram com que esse homem se tornasse um ser que busca os objetivos criados por ele mesmo. A civilização é colocada aqui como um meio para se chegar em um fim – algo bem maior, portanto.
Percebe-se, desde então, que não importa os objetivos estabelecidos por determinada cultura criada exclusivamente por um conjunto humano. A cultura é, portanto, uma convenção social. O que importa é a energia despendida para se alcançar esse objetivo e a fé que é prestada ao valor do mesmo. O homem, meus amigos, tem vivido disso desde os primórdios e não há avanço tecnológico ou alteração de crença que faça esse mecanismo ficar ultrapassado.
A primeira crença talvez foi a de que precisávamos dominar a natureza (até por uma questão de sobrevivência). O homem se rastejava em sua ignorância e nos sentimentos confusos inerentes a essa ignorância. Não obstante, a sua inteligência não era devidamente controlada e uma fase de barbáries rondou a terra no período pré-histórico. Até se estabelecerem como conhecedores do fogo, da roda e da agricultura, os primeiros homens (em épocas diferentes, certamente) viveram como nômades. Esses três elementos são considerados os primeiros avanços humanos para o surgimento de civilizações.
Com a Civilização criaram-se diversas formas de bem-estar e entretenimento, mas o que deve ser levado em conta é a eterna vontade que o homem tem de dominar o próprio homem. Sempre houve, há e sempre haverá o domínio do homem sobre o homem e da mesma forma podemos considerar sobre a alienação, pois o homem dominado sempre foi alienado pelo dominante. Eis o homem em sua essência.
A Civilização trouxe benefícios ao homem, pois esse deixou de temer a Natureza e passou a tentar dominá-la. O fato de tomar essa atitude foi realmente benéfica. Mais tarde, com o advento da Matemática, Ciência e Filosofia o homem começou a tentar desvendar o que está por detrás de tudo e a se questionar a respeito do Universo. Criou seres mitológicos e Deuses – o sobrenatural tornou-se de conhecimento humano, mesmo sem saber explicar do que se trata. Talvez o sobrenatural seja uma invenção da convenção humana por não ter esse uma explicação plausível do que não se pode ver, ouvir e sentir.
Viemos dos macacos como prega o Darwinismo? Ou essa história é uma peça criada para se provar às sociedades modernas que a Ciência não é a verdade absoluta e assim podemos afirmar que acreditar nesse tipo de coisa sem as devidas provas é a mesma coisa que acreditar na ressurreição cristã? Não se muda se é religião ou ciência, mas sim se há ou não fé e se há ou não provas...
E temos mais uma vez o homem que segue em direção ao desconhecido, criando e destruindo sociedades – envolvendo-se em projetos hoje importantes, amanhã absurdos...
Acreditamos estar no ápice da inteligência e da sabedoria (pelo menos inconscientemente), pois a arrogância pós-moderna denuncia isso. O fato é que continuamos ainda sem saber ao menos o que somos, de onde viemos, porque, quando e para onde iremos e com qual objetivo. Restou-nos mesmo viver pelo viver, construir para depois destruir e assim poder construir novamente... é o “eterno retorno” humano que não tem sentido algum.


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