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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Ensaio sobre a Morte


Morte

Súbita é a morte:
Este negro véu da sombra eterna,
A mais assustadora das verdades,
A mais tirana das vaidades
E a mais louca das excentricidades

O porvir se houver, é algo totalmente insólito,
Pois a nossa ignorância reina em abundância
E os nossos sonhos são incapazes de ultrapassar
A sua barreira... a barreira da morte.

Sei que dela desfrutarei
Num dia ou numa noite qualquer
A mais profunda sensação do então desconhecido;
O gozo mais profundo;
O êxito mais profundo;
A verdade mais profunda;
A ironia mais profunda;
A vitória mais profunda;
A derrota mais profunda;
Enfim, o verdadeiro e único Nirvana.

Será a morte a catarse dos sofrimentos
Ou o mais terrível dos julgamentos?

Ironia ou não, ela é a única certeza que temos em vida...




 Somos marionetes de algo maior, desconhecido e muito mais dinâmico do que nossos parcos olhos são incapazes de enxergar. Somos terrivelmente manipulados por uma inteligência superior e não fomos sequer treinados devidamente para dar o primeiro passo em direção à verdade absoluta, se é que ela existe apenas na sua unidade. Talvez, então, existam diversas verdades que trabalham em conjunto ou isoladamente para um único objetivo ou para diversos deles.

O fato é que, na sua ignorância, a humanidade está só e assim não temos idéia do que somos realmente, de onde viemos, para onde iremos etc...

A única certeza é a de que morreremos. Não obstante, não sabemos de fato o que é a morte. Não sabemos se é o nosso fim absoluto, se é uma transformação dos nossos sentidos, se é a transportação de nossa essência para um mundo desconhecido ou se é algo tão inusitado que nossa inteligência limitada não é capaz de compreender. O fato é que não há quem um dia não passará por isso – seja um bem ou um mal.

  Tentar compreender a morte é inútil enquanto vivemos e mesmo assim, em toda a história da humanidade, diversas tentativas de se compreender a morte foram feitas. Portanto, a morte está ligada a todas as formas de cultura humana, pois ela sempre esteve a nos olhar de soslaio e pronta para dar o bote no oportuno momento que for necessário.

Talvez ganhemos algo com a morte. Talvez passemos a compreender mais sobre nós mesmos, sobre o mundo em que habitamos, sobre o suposto infinito que nos rodeia, sobre a verdade ou as verdades que estão escondidas sobre a formação da matéria, do etéreo e da metafísica.

Talvez perdemos algo com a morte. Talvez o sonho dê lugar a uma desilusão assombrosa, onde pagamos pelo mal que fizemos a nós e aos outros – um verdadeiro calvário de dor e punição a fim de concluir um trabalho maior, como uma redenção...

Apresentei duas antigas visões sobre o porvir e sei que há muito mais que isso. No entanto, existem muitas outras possibilidades imaginadas nas diversas culturas humanas.  Chegaremos a alguma conclusão, afinal?

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